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"A Corda / A Barca / O Mar - primeiras visões sobre o seitai-ho como caminho para a criação cênica" (2004) - Sandra Parra

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Título "A Corda / A Barca / O Mar - primeiras visões sobre o seitai-ho como caminho para a criação cênica" (2004) Orientador(a):Cassiano e co-orientação do Toshi Aluno:Sandra Parra Contato:sandraparra44@yahoo.com.br
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  • Name: Pedro Consorte
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Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUCSP
Comunicação das Artes do Corpo
A CORDA
A BARCA
O MAR
Primeiras Visões Sobre o Seitai-ho Como Caminho
Para a Criação Cênica
Sandra Parra Furlanete
São Paulo – SP
2004

Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUCSP
Comunicação das Artes do Corpo
SEITAI-HO COMO CAMINHO PARA A CRIAÇÃO CÊNICA
Sandra Parra Furlanete
Monografia de Projeto Final,
apresentada como trabalho de
conclusão do curso de Comunicação
das Artes do Corpo, orientada pelos
professores Cassiano Sidow Quilici e
Toshi Tanaka.
São Paulo - SP
2004

Banca Examinadora
__________________________________________
__________________________________________
__________________________________________
São Paulo, 03 de dezembro de 2004.

Resumo
A presente monografia refere-se a um trabalho de pesquisa sobre o seitai-ho e sua
conexão com a criação nas artes cênicas. As experiências aqui relatadas ocorreram em
encontros de pesquisa realizados na Casa do Vento (centro de pesquisa de artes dirigido
pelo prof. Toshi Tanaka em Embu-SP) e aulas do curso de Comunicação das Artes do
Corpo, Puc-SP, durante o período compreendido entre março e novembro de 2004.
Esta pesquisa tem como ponto de partida a apresentação da hipótese de que é
possível estruturar-se a criação cênica de maneira que ela aconteça não só em presença do
espectador, como influenciada por essa presença, numa relação de troca baseada em
sensações de ordem física sutis e não-analíticas. Apresentamos então os motivos de nosso
interesse e conseqüente engajamento à pesquisa sobre seitai-ho, em função da hipótese
apresentada. Passo seguinte, expomos as idéias, vivências e conexões surgidas a partir da
pesquisa prática com esta técnica. Por fim, apresentamos experiências de criação cênica
originadas dessa prática, relacionando-as com a idéia pressuposta em nossa hipótese.
Este trabalho traz também algumas informações sobre os fundamentos do seitai-ho
e sobre algumas das práticas de que ele se compõe: yuki, katsugen undo e do-ho.

Sumário
Resumo………………………………………………………………………...…03
Agradecimentos…………………………………………………….………….…05
Introdução……………………………………………………………….………..06
1………………………………………………………………….…………….…10
2………………………………………………………………….………….……12
3………………………………………………………………….…………….…16
4………………………………………………………………….…………….…35
Anexo………………………………………………………………………….….48
Bibliografia……………………………………………………….……………….61

Agradecimentos
Escrever esses agradecimentos me parece uma tarefa titânica - e talvez vã - diante da quantidade de
pessoas que, estando ou tendo passado pela minha vida, me fizeram chegar aqui; às vezes, não mais do que
uma pequena frase de um colega de trabalho foi suficiente para me fazer compreender aquilo que já estava
estratificado em camadas de muitos anos dentro de mim. No entanto, numa tentativa desesperada, agradeço:
Ao Toshi, que me acolheu na sua pesquisa, e tem me orientado com tanta paciência,
firmeza, generosidade e bom humor; à Ciça, ponte, referência e amizade; à Juma, Gum e
Yurin, que estão lá e completam o todo;
Ao Cassiano, que me orientou com tanta liberdade, atenção e confiança nesta monografia
(isso, coitado, depois de já ter me aturado durante três anos como aluna - haja meditação zen!);
A todos os que foram meus professores e que, por concordância, discordância ou
apaixonamento total, construíram esse curso para mim, comigo. Nenhum deles - é incrível
notar! - me foi indiferente; a todos aqueles que não me deram aulas mas que, eu sei,
também constroem esse curso novamente, todos os dias, a cada nova aula;
Em especial aos professores Francisco Medeiros, pelo “círculo neutro” e o the empty space;
Rosa Hercoles, pela eutonia e todos os papos tão esclarecedores; Lúcio Agra, pela
presença; Vera Achatkin, que está sempre lá, e sempre sorrindo; Cleide Campelo, por todo
o entusiasmo, a força, alegria e… bom, por ser ela mesma, do jeito que ela é; João André,
pela confiança e apoio, quando eu escolhi este caminho e comecei do zero - sem isso, João,
eu não teria conseguido;
À Soreh, Solange, Zé, amigos da primeira hora; à Fafá, Letícia, Daniele, amigas da última
hora (last, but not least!); à Ana Gui, que me pôs em xeque; à minha “turminha teatral”,
que me reabriu horizontes e me trouxe de volta o bom humor; a todos os sorrisos que me
acolheram em todas as aulas, tanta gentileza, tanta amizade - gente, vocês são demais!;
Mamãe, Papai, Fabinho, Silvinha, Aline, Ri, vô, vó - eu os amo tanto! Mas agradeço em
especial à vovó Alaíde, pela força nesses quatro anos, e à Silvinha, que faz minha cabeça
pensar, meu coração bater, minhas pernas andarem, que é minha irmã (Xuvinha! o que
seria de mim sem você?);
Ao Leonardo, meu amor, que me ama, me atura, me apóia, me aceita, me organiza, me
desorganiza, me faz viver e vive comigo;
À Denyse, querida, que encostou a arma na minha cabeça e me fez pular nesse abismo, que
é as Artes do Corpo;
Ao Big Bang, afinal, sem o que nada disso teria sido possível;
E a Deus, naturalmente, que afinal de contas foi quem criou o Big Bang (hi-hi-hi…).

Introdução
A presente monografia é fruto de um trabalho de pesquisa sobre o seitai-ho e sua
conexão com a criação nas artes cênicas. Toda a parte prática do trabalho a que aqui nos
referimos foi orientada pelo prof. Toshi Tanaka, a partir de sua pesquisa sobre a aplicação
do seitai-ho à criação artística. Já o trabalho de elaboração teórica das leituras e dos
relatórios de pesquisa do qual resultou esta monografia foi orientado pelo prof. Cassiano
Sidow Quilici.
Embora tenhamos iniciado nossos estudos sobre o seitai-ho durante o ano de 2003,
no curso de Artes do Corpo, na Puc-SP, as experiências aqui relatadas referem-se, em sua
grande maioria, ao período de pesquisa compreendido entre março e novembro de 2004,
realizada na Casa do Vento (centro de pesquisa de artes dirigido pelo prof. Toshi Tanaka
em Embu-SP).
Este trabalho não tem a pretensão de discutir a filosofia do seitai-ho ou de descrever
todos os seus exercícios e técnicas, nem tampouco de esgotar suas possibilidades como
caminho para a criação. Para tal, seria requerido um estudo prático e filosófico de muitos
anos, cujo nível estamos evidentemente muito longe de alcançar. Este estudo limita-se,
portanto, a apresentar idéias, conexões e aprendizados vivenciados pela pesquisadora,
durante o período em questão.
Para melhor organização do material elaborado, este trabalho foi dividido em
quatro partes.
A parte 1 apresenta a questão que, estando presente já há alguns anos na nossa
trajetória como atriz, potencializou-se no encontro com o seitai-ho: como fazer uma cena
que aconteça e se construa na presença do espectador e em função da sua presença ali - ou
seja, uma cena que vai se construindo a partir da percepção do outro, que é o espectador,
com suas sensibilidades, sensações, reações, sua presentidade. Para aprofundar e estruturar
a questão, nós a relacionamos a algumas das idéias de Espinoza, com que tivemos contato
durante o curso de Artes do Corpo.

A parte 2 refere-se a quais aspectos do seitai-ho nos interessaram, primeiro e
principalmente, ao termos contato com essa técnica: a prática do yuki e o ponto de vista
sobre o corpo; fornece sobre eles uma descrição de seus princípios básicos, e refere-se
também às primeiras conexões suscitadas em nós entre o seitai-ho e a criação cênica.
A parte 3 discute os pontos mais significativos e relevantes surgidos durante a
pesquisa, em relação à nossa trajetória como artista e à questão apresentada na parte 1.
Embora tais discussões tenham sido baseadas em nosso diário de trabalho, elas não trazem
uma descrição técnica das práticas realizadas; fazem apenas referência aos aspectos que
mais interessem à referida questão. Aqui, as idéias e vivências são apresentadas como
pequenos “blocos de idéias”, que não seguem uma linearidade temporal, nem tampouco
causal. Isso porque intuímos que há uma enormidade de conexões possíveis entre os
assuntos apresentados que nós mesmos jamais teríamos condições de estabelecer; deixamos
então um “espaço de abertura” para as conexões que possam ser feitas pelo próprio leitor.
A parte 4 traz uma descrição e comentários sobre processos criativos e seus
respectivos resultados cênicos surgidos a partir da nossa pesquisa com o seitai-ho.
Conectamos esses processos e as questões levantadas por eles à pergunta apresentada na
primeira parte, e indicamos o caminho de continuação desta pesquisa, que se encontra
ainda em pleno processo.
Esta monografia consta também de um Anexo, que pretende dar uma idéia do que é
o seitai-ho através da apresentação de seus conceitos fundamentais. Este Anexo foi
dividido em três partes.
A primeira parte descreve os princípios fundamentais do seitai-ho, tal como
apresentados pelo seu fundador, o dr. Haruchika Noguchi. Para tal, tomamos como base o
livro Order, Spontaneity and the Body,1 o qual, além dos princípios do seitai-ho, trata
também de duas das práticas fundamentais para a manutenção do “estado seitai”: o yuki e o
katsugen undo.
A segunda parte traz uma pequena nota biográfica sobre o dr. Noguchi, pois
acreditamos que essas rápidas linhas sobre a vida do fundador do seitai-ho possam auxiliar
na compreensão da filosofia e da prática desenvolvidas por ele.
1 Noguchi, Haruchika. Order, Spontaneity and the Body. Tokyo: Zensei, 1984.

A terceira parte discorre sobre o do-ho, pesquisa desenvolvida pelo mestre Hiroyuki
Noguchi, filho e continuador do trabalho do dr. Haruchika Noguchi. O do-ho é uma técnica
que estuda as posturas tradicionais (kata) presentes na cultura japonesa, visando resgatar os
princípios básicos do movimento; além disso, é o eixo norteador de toda a pesquisa
realizada pelo prof. Toshi Tanaka no Brasil, desde 1994.
Por fim, gostaríamos apenas de lembrar ao leitor que este é um recorte muito
parcial, do ponto de vista de uma principiante, sobre um trabalho que é não só uma prática
mas também uma filosofia de vida. Nada do que for dito aqui deve substituir ou se sobrepor
à própria vivência ou experiência do leitor com o seitai-ho - porque, ao final de tudo,
apenas aquilo que se vive é o que importa.

Eu quase que nada não sei. Mas
desconfio de muita coisa.
(Grande Sertão: Veredas)

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