Report home > Lifestyle

Lirios

5.00 (1 votes)
Document Description
setgsgsd
File Details
Submitter
  • Name: Vasco
Embed Code:

Add New Comment




Content Preview
VASCO VASCONCELLOS


SOMENTE OS
LÍRIOS BRANCOS
POR TESTEMUNHA




Por LÚCIA HELENA



EDITORA SPACE.COM

1

Revisão: J. Pascale
Capa: Copyright © Vasco Vasconcellos
Supervisão: Sérgio Barros e André Luís Vasconcellos Barros
Direção Geral: Vasco Vasconcellos










Registrado na Biblioteca Nacional sob o número 416.865 Livro 779 Folha 25

É expressamente proibida a reprodução parcial desta obra, de qualquer forma ou por qualquer meio
eletrônico, mecânico, ou por processo xerográfico sem a devida permissão de quem de direito (Lei nº
9.610 de 19 de Fevereiro de 1998)


















EDITORA SPACE.COM

2






AGRADECIMENTOS PG
3

PREFÁCIO
7







CAPÍTULO I




1.
O ACIDENTE
8
2.
O VALE DA MORTE
14







CAPÍTULO II




3.
RECUPERANDO A VIGÍLIA E OS MOVIMENTOS
17
4.
CONTATO COM O MUNDO EXTERIOR
19
5.
CONHECENDO LÚCIA HELENA
21
6.
RECEBENDO A NOTÍCIA DE MINHA MORTE
26
7.
PROJEÇÃO DE MINHA CONSCIÊNCIA
27
8.
OS PASSEIOS PELA COLÔNIA E CONFIDÊNCIAS
31
9.
DESMPENHANDO FUNÇÕES NA COLÔNIA
37
10.
NASCE UM GRANDE AMOR ENTRE NÓS
39
11.
PREPARATIVOS PARA A VIAGEM
43
12.
UMA NOVA TRANSFERÊNCIA DE SETOR
46
13.
INICIANDO A VIAGEM PARA A TERRA
49







CAPÍTULO III




14.
NA CROSTA E DESCENDO ATÉ AS ZONAS PROFUNDAS
54
15.
TRABALHANDO NO VALE E VISITANDO HOSPITAIS
55
16.
EM VIAGEM DE PASSEIO
61
17.
DESENVOLVENDO MEU TRABALHO
67
18.
MINHA SEGUNDA VIAGEM
69
19.
TRABALHANDO NA CROSTA PLANETÁRIA
72
20.
NOVAMENTE COM LÚCIA HELENA
77
21.
FORMAS PENSAMENTOS
80
22.
OUTRA TRANSFERÊNCIA DE SETOR
84
23.
A CONCEPÇÃO DE PAULO NO PLANO FÍSICO
85
24.
UM INESPERADO ENCONTRO
88







3


AGRADECIMENTOS



* Aos meus amigos de São Carlos – SP, aqui representados pela Sra. Cecília Nazaré de Luca
com muita amizade.
























4







































Este livro é dedicado a todas as pessoas que acreditam no amor.

5

PREFÁCIO



Muito se tem comentado sobre Almas Gêmeas. Considero que no sentido de divisão de
consciências elas não existem.
O que existe são almas afins com o propósito evolutivo que rompe o ciclo individual de cada
uma das pessoas, tornando-as iguais no sentido único de buscarem a evolução em dupla e familiar,
amparando-as umas as outras, fortalecendo-se durante sua jornada terrena.
Tudo indica que essa determinação prossegue, no plano extrafísico, onde elas continuam a
desempenhar suas missões sempre em conjunto.
Procurei seguir a linha de pensamento da entidade, e também, por pensar igual a ela no sentido
de apresentar esses seres extrafísicos como pessoas normais, destituídos de um despojamento
angelical que normalmente temos, como premissa em querer colocá-los como seres dotados de
sapiência e infabilidade. Na verdade, eles também buscam a evolução, tal qual nós buscamos
O enredo desta história segue a trajetória de duas almas afins, que se encontram no plano
extrafísico e lá desempenham várias funções para o bem comum. Esse romance desenvolve toda sua
história em outra dimensão propriamente dita.
Assim que comecei a escrever o livro notei, que no início, o personagem central era apenas um
componente da dupla que deixa seu corpo definitivamente neste plano, surpreendido que fora por
um acidente de trânsito que ceifou sua vida e passou a pertencer ao mundo extrafísico. Continuando
em meus escritos, comecei a notar o surgimento de cenas em conjunto da colônia extrafísica onde
esse personagem passou a residir, onde ele começou a receber a assistências direta daquela que seria
o seu grande amor de todos os tempos.
Os fragmentos da história foram se incorporando uns aos outros e logo o enredo ganhou corpo e
consistência. Surgiram outros personagens que enriqueceram ainda mais o conteúdo da trama. E
logo notei que o romance de Vítor e Lúcia Helena desenvolveu-se, ganhou conteúdo, ficou mais
consistente e palpável indicando que o caminho estava aberto. A partir de então tudo se
desenvolveu de maneira satisfatória. Eu sentava à frente do computador e começava a digitar o que
sentia, penetrando no enredo de corpo e alma, extraindo o seu conteúdo e passando para o papel.
Mesmo quando a obra estava chegando aos seus momentos derradeiros, a maneira como iria
encerrar o livro não me causava apreensão, deixei mais uma vez fluir minha intuição e mantendo a
sintonia com a entidade, reparei para minha surpresa, que o final foi surpreendente, talvez único que
eu tenha visto, encerrando assim uma história com um encerramento que difere dos demais.




VASCO VASCONCELLOS
Santos – SP
Novos tempos – Novas esperanças




6

CAPITULO I

O ACIDENTE


A tarde chuvosa de inverno, a garoa, o vento, tudo isso estava acontecendo naquele dia em que
eu vinha caminhando pela calçada totalmente absorto em meus pensamentos, a única coisa que
sentia era a garoa fria acompanhada de um vento gelado batendo em meu rosto.
Somente de capa, sem guarda-chuva eu apertava a gola de minha capa com a mão para que os
pingos de chuva não penetrassem pelo meu pescoço e não me molhasse. Eu experimentava o
dissabor de mais uma tarde com tempo instável e a metereologia indicava que o tempo continuaria
assim por algum tempo. Com o rosto abaixado para não pegar mais chuva, eu ia segurando a gola
da minha capa para não me molhar ainda mais.
Andando a passos largos, com os sapatos molhados, eu estava totalmente voltado para meus
pensamentos. Nada que pudesse acontecer a minha volta, poderia desviar minha atenção, tal a
minha fixação em querer resolver pelos menos, boa parte de meus problemas. Se pelo menos alguns
deles eu pudesse resolver, já seria bom demais para mim. Meus pensamentos buscam soluções,
problemas eu os tinha demais. Para mim tudo o que eu via enquanto andava, ou ouvia, era igual ao
de antes, nada podia fazer e tudo o que vinha até mim no sentido de buscar uma solução eu já havia
pensado e refletido.
As ruas, mesmo molhadas, pareciam todas iguais, com as pessoas cada uma aborta em seus
pensamentos, cada um vivia no seu mundo enclausurado e pareia disposto a não sair mais dele. E eu
continuava andando sem pensar para onde meus pensamentos poderiam me conduzir, andava,
simplesmente andava.
Ao chegar próximo a um cruzamento eu não vi um veículo se aproximando perigosamente de
mim, desenvolvendo velocidade superior estabelecida para o local. Ao atravessar a rua, usando a
faixa de pedestres fui colhido por esse veículo que me jogou a vários metros de distância do local de
onde eu me encontrava. Imediatamente uma enorme confusão se estabeleceu anunciando que algo
terrível havia acontecido. Confesso que nada senti com referência ao impacto. Permaneci parado
onde fora projetado, isto é, como se nada tivesse acontecido.
Em seguida, vão chegando pessoas que ao se aproximarem do círculo onde estava meu corpo,
elas através de preocupação, estampadas em seus rostos, demonstravam tristeza com o que viam.
Algumas confabulavam entre si, cochichavam, trocando opiniões sobre alguma coisa.
Eu acompanhava passivamente o movimento que aumentava a cada minuto. Confesso que uma
certa curiosidade se manifestou em mim. Resolvi averiguar o que havia de tão importante que as
pessoas discutiam. Aproximei-me do círculo, procurando visualizar o que estava em seu interior que
tanto as incomodava, estendendo a cabeça observei ali, meu corpo prostrado sem movimento
agonizando no solo. Fiquei espantado.
Não seria possível eu estar em dois lugares ao mesmo tempo, estirado no asfalto e ao mesmo
tempo em pé, ao lado de meu outro corpo?
Como seria isso possível?
Embora minha cabeça estivesse cheia de indagações e mil perguntas a respeito do que estava
acontecendo, eu me sentia calmo e agia como se nada mais pudesse ser feito a respeito do que esta
vendo. Eu acompanhava os movimentos e os olhares espantados das pessoas que viam o meu corpo
no chão e observava como se já estivesse preparado para aquela situação.
Que estranho pressentimento seria esse? Confesso que não sei de onde vem essa segurança em
analisar um fato tão delicado.

7

Alguns transeuntes saem do local do acidente e outros chegam. Mas, quando elas chegam perto
de meu corpo, noto mais uma vez pela expressão facial estampada em seus rostos que o caso é
grave.
Afinal de contas, o que poderia ter ocorrido?
Eu apenas me lembro que sofri um forte impacto recebido de um veículo e que fui atirado a
metros de distância, mas no meu entender tudo estava relativamente bem. Eu estava novamente em
pé, parado à frente das pessoas e observando o desenrolar dos acontecimentos.
Era evidente que algo inusitado havia ocorrido a partir desse momento e eu começava a
preocupar-me com essa incomoda situação de estar em dois lugares ao mesmo tempo. Com o passar
do tempo comecei a entender o que estava acontecendo, fui chegando à conclusão de que era vítima
e espectador de meu próprio acidente, isso de fato ocorreu, pois com o impacto eu saí de meu corpo
físico, embora não tenha sentido nada.
Então o que significa isso?
Posso ter realmente dois corpos?
A partir desse momento comecei a viver, uma experiência incomum em minha vida que
mudaria, radicalmente minha maneira de pensar sobre o que eu até então considerava morte.
Mais uma vez, aproximei-me de meu corpo e fiquei ilhando para ele. Pessoas que estavam pelas
imediações se aproximavam e começaram a tocar em mim, ou seja, naquela outra parte, procurando
me reanimar. Eu não sentia o toque das mãos daquele pessoal, apenas os via tocando em meu corpo.
A sensação que eu desfrutava no momento era de uma certa indiferença, ou melhor, de impotência
que sugeria uma aceitação como se nada pudesse fazer diante do ocorrido. Eu apenas assistia a toda
aquela movimentação.
Dentro de alguns minutos um veículo de uma unidade do Corpo de Bombeiros compareceu ao
local, eles imediatamente começaram a averiguar as funções vistais de meu corpo. Colocaram um
colete cervical para que não viesse a sofrer lesões na coluna. Averiguaram minha respiração e
checaram os batimentos cardíacos. Posteriormente me removeram para uma maca, prenderam meu
corpo e me colocaram no interior da viatura, rumando para o hospital com a sirene ligada.
No interior do carro eu observava, um dos bombeiros da equipe de resgate de vítimas no
trânsito, procurando reanimar meu corpo através de dispositivos eletrônicos, o outro membro da
equipe soltou meus sapatos e a cinta de minha calça para que nada pudesse causar obstáculo a
circulação sanguínea. Enquanto isso um dos bombeiros se comunicava pela rádio da viatura com o
hospital, transmitindo as informações para equipe médica.
Assim que chegamos, notei que parte do pessoal da equipe de plantonistas foi designada para a
sala de cirurgia e já estava me esperando. Eles me colocaram em uma maca e se dirigiram às pressas
para a sala de operações. Colocaram-me em uma mesa e tiraram várias chapas de Raios –X, em
seguida os médicos constataram que vários órgãos foram atingidos e uma hemorragia comprometia
todo o funcionamento de meu corpo.
Aproximei-me do grupo de profissionais a fim de presenciar melhor o que estava acontecendo.
De repente vi uma enfermeira se dirigindo rapidamente em minha direção com uma bandeja de
aparelhos cirúrgicos. Rapidamente pensei:
– Ela vai se chocar comigo!
Eu não conseguia me afastar a tempo, a colisão entre nós seria inevitável eu já previa que todo
aquele material iria se espalhar pelo ambiente. Para minha surpresa a moça não esbarrou em mim,
ou veio a se chocar comigo, ela simplesmente passou por dentro de mim. Levei um susto. Como
poderia ter ocorrido aquilo? Ela nem notou que eu estava lá? E o que também me surpreendeu é que
nem ao menos senti o impacto e pensei comigo:
– Tudo isso é muito estranho!
– Parece um sonho.

8

Em seguida uma outra enfermeira se aproximou de alguns de seus colegas e disse:
– O estado desse homem é muito grave. Temos que reverter o quadro.
Uma de suas colegas apenas balançou a cabeça demonstrando que concordava com a
observação feita pela profissional.
Percebi que minha situação inspirava cuidados e só restava observar o desenrolar dos fatos. Eu
nada poderia fazer a respeito. Só podia acompanhar os acontecimentos e nada mais. Enquanto a
equipe trabalhava, eu procurava fazer um retrospecto do que tinha acontecido, mesmo encontrando-
me naquela situação estava tranqüilo sem manifestar qualquer distúrbio de comportamento.
Eu observava todo o trabalho da equipe, até que vim a ouvir um pequeno zumbido de um
aparelho eletrônico, da sala de cirurgia. Para ser mais exato, pude, constatar, que o zumbido se
referia a uma parada de meu outro corpo que se encontrava na sala de atendimento de emergência.
Colocaram dois aparelhos em meu peito e o acionaram com uma carga de choque elétrico. Fizeram
isso algumas vezes e depois pararam. Meu corpo não respondia.
Nada mais poderia reanimá-lo.
Assisti aquela situação passivamente acompanhando sem poder interferir no seu andamento.
Foi então que o médico chefe da equipe disse:
– Ele se foi. Nós o perdemos.
O abatimento foi geral. Alguns membros da equipe ainda tentaram me reanimar, mas não havia
qualquer resposta de meu corpo nesse sentido que pudesse sugerir uma melhora.
Notei pelo semblante dos funcionários do hospital que eles desejavam uma resposta rápida para
o sucesso da intervenção que pudesse atestar que eu realmente estava bem.
Sentindo que nada mais poderiam fazer, eles foram retirando as máscaras de seus rostos e
começaram a caminhar vagarosamente em direção à porta, ainda acreditando que poderiam ouvir o
ritmo de minha pulsação cardíaca.
Isso não ocorreu.
Ainda fiquei ali alguns minutos, observando o meu corpo inerte. No ambiente, apenas uma
enfermeira cuidava dos preparativos para deixar a sala novamente em condições de receber novos
pacientes. Após a conclusão de sua tarefa ela se aproximou de meu corpo, puxou um lençol branco,
cobrindo-o e, retirou-se, deixando-me.
Permaneci alguns minutos sem saber o que fazer ou para onde ir, o fato é que sendo meu corpo
a única coisa familiar que se encontrava no ambiente, eu sentia a obrigação de continuar nas
proximidades para ver o que poderia ocorrer com ele. Era o meu referencial e não desejava me
afastar dali.
Após alguns minutos um enfermeiro entrou na sala e começou a fazer os preparativos para a
remoção do corpo. Enquanto ele desenvolvia seu trabalho eu o observava e notava que a rotina de
seu trabalho o havia deixado insensível quanto às pessoas que ele preparava e cuidava dos corpos.
Em seguida ele amarrou meu corpo, demonstrando muita prática e assim que ele se certificou de
que tudo estava devidamente seguro para sua locomoção ele o conduziu para fora da sala.
Acompanhando o funcionário notei que passávamos por longos corredores, alguns bastante
congestionados pelas pessoas que desenvolve serviço no hospital e pacientes e outros relativamente
desertos. Andamos por eles e após alguns minutos nós paramos em frente de uma porta de ferro
relativamente larga. Ele a abriu e nós entramos.
Sem perda de tempo o enfermeiro deixou o corpo na sala, retirando-se em seguida.
Um instinto de preservação fez com que eu ficasse na sala ao seu lado esperando, para ver o que
ia acontecer, tudo indicava, que eles ainda não haviam terminado o trabalho com ele. Com o passar
do tempo a sala fria e solitária fez com que eu fosse sentindo que precisava descansar, sentei-me em
uma cadeira que se encontrava nas imediações e fiquei aguardando os acontecimentos.

9

Em instantes apareceu um médico com um auxiliar. Eram as pessoas que iriam proceder à
autopsia no corpo.
Eu queria ficar ali presenciando o trabalho deles. Mas, algo me chamou a atenção, surgiu na
sala, uma mulher que não de onde poderia ter aparecido, acenou-me com a mão e sorrindo fazia
sinal que eu a acompanhasse. Fui caminhando em sua direção, e vi que essa senhora apresentava um
semblante que transparecia uma beleza jovial e alegre, parecia que queria falar comigo. No entanto,
quando me aproximei, ela fez novamente um sinal para que eu a seguisse, virou-se de costas para
mim e atravessou a parede. Levei um susto e contive meu impulso em querer acompanhar aquela
simpática senhora.
Espantei-me, recuei e percebi que aquele súbito acontecimento foi o suficiente para fazer com
que eu ficasse no ambiente, sem querer sair de lá ou ir para um outro lugar. Eu estava apavorado
com o que poderia encontrar, caso fosse para fora da sala de onde eu estava.
Fiquei aguardando durante horas que alguém entrasse na sala e pudesse abrir a porta para eu
sair, já que eu havia constatado ser impossível sair dali sem esse recurso.
Não sei precisar com exatidão por quanto tempo fiquei naquele ambiente, o fato é que durante
minha permanência ali, comecei a pensar nessas coisas que estavam ocorrendo comigo. Certamente
que não poderia ser um sonho. Eu estava lúcido demais e mantinha meus sentidos em completa
vigília. O que eu percebia é que algo de novo estava ocorrendo comigo e isso eu não poderia negar.
Sentado em uma cadeira, com as mãos apoiando o rosto, eu pensava em uma resposta para tudo
àquilo que estava acontecendo, até que a porta se abriu. Novamente, vi aquele funcionário entrando
na sala empurrando novamente a maca com mais um corpo. Sem perda de tempo aproveitei a
oportunidade para sair. Vagarosamente fui, caminhando em direção a rua sempre com a sensação de
que alguém pudesse interromper minha saída, mas não foi isso o que ocorreu, saí andando
normalmente e em segundos ganhei o passeio público.
Procurei me deslocar o mais rápido possível andando rapidamente pela calçada e na rua,
comecei a andar sem destino. Eu apenas seguia por onde minhas pernas me levavam.
O detalhe é que eu havia me esforçado tanto para conseguir ganhar o passeio público e agora
não sabia, para onde ir e o que fazer.
A solidão, a ausência de uma pessoa conhecida para conversar me fazia andar sem um destino.
Eu era levado pela necessidade de ter o que fazer, sem que para isso pudesse saber que teria que
chegar a algum lugar.
Percorri e passei por vários ambientes, sentia que a chuva que continuava a cair trazia um ar de
melancolia aos transeuntes que preocupados em não se molharem andavam a toda pressa,
desviando-se das poças de águas na calçada da Avenida Paulista. Pela grande avenida da metrópole
eu via, às vezes, carros da polícia com sirene pedindo passagem no trânsito. Era como se eu
estivesse vendo um desses filmes policiais americanos tão comuns.
Os luminosos da avenida ofereciam anúncios de comerciais aos transeuntes que estavam
passando de carro, ou mesmo á pé, o melhor produto. Eu sentia um clima igual a esse que nós
sentimos quando estamos inseridos no contexto da cidade, mas não faz mais parte dele. Essa era a
sensação que eu desfrutava no momento. Eu participava da noite, mas não fazia parte dela. Era
somente um mero expectador.
– Estranha sensação!
Murmurei baixinho, pensando que alguém poderia ouvir.
Um misto de saudade de minha vida comum em sua rotina diária dava lugar a um ambiente
totalmente novo para mim. Eu vagava sem rumo.
Fui para o centro antigo da cidade e notava que nas ruas desertas da metrópole eram pousadas e
mesmo moradias, para crianças que dormiam em cima de papelões que serviam para forrar o chão
úmido. Outras crianças preferiam o repousou no interior das galerias de águas pluviais. Estranhei

10

Download
Lirios

 

 

Your download will begin in a moment.
If it doesn't, click here to try again.

Share Lirios to:

Insert your wordpress URL:

example:

http://myblog.wordpress.com/
or
http://myblog.com/

Share Lirios as:

From:

To:

Share Lirios.

Enter two words as shown below. If you cannot read the words, click the refresh icon.

loading

Share Lirios as:

Copy html code above and paste to your web page.

loading