Sumário
Introdução .....................................................................................................................................
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Bate pra fora Kaká!! ......................................................................................................................
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A gravidade do problema das Olimpíadas e Copa do Mundo no Brasil ........................................
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A grande maratona de ostentação estatal ....................................................................................
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Rio 2016: Eles ganham, você paga! ...............................................................................................
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Contra o Seqüestro do Esporte Moderno ...................................................................................
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Infra-estrutura qual não precisamos ...........................................................................................
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Perigo: Ufanismo à vista. .............................................................................................................
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Introdução
A idéia de criar a revista eletrônica Preço do Sistema já vem de muito tempo, mas o tema
dessa edição que é “Quem ganha com a Copa e a Olimpíada?” acabou propiciando apoio para
que finalmente a idéia pudesse tomar forma.
Seguindo o título da revista, nós ganhamos algo com isso? Será possível que o retorno de
sediar os dois eventos esportivos mais importantes do mundo compense os gastos bilionário e
espaço para corrupção em um país em desenvolimento, que pessoas mal tem condição de
levar uma vida digna?
Além disso, se a experiência do Panamaricano no Rio de Janeiro já demonstrou que o
orçamento ultrapassou diversas vezes, porque isso não vai acontecer agora? E será que é
viável bancar esses eventos se juntos eles ultrapassarem a casa de cem bilhões? Não seria
melhor deixar esse dinheiro no bolso das próprias pessoas?
Outra pergunta que será respondida aqui é: se esses eventos dão retorno, porque então a
iniciativa privada não pegou para fazer? Você voluntariamente doaria uma parte do seu salário
para que esse evento ocorresse?
No que toca as obras que serão deixadas como legado nessas cidades, elas podem realmente
se concretizar? Esse desenvolvimento segue padrões que beneficiam a infraestrutura para o
evento ou critérios para melhorar a estrutura de locomoção urbana fora dos eventos? Será
que a capacidade instalada não será muito maior que a utilizada no cotidiado?
E quanto ao preço dos ingressos nos estádios de futebol após a copa do mundo? É presumível
que após as melhorias das instalações dos estádios, as tarifas irão subir proporcionalmente,
impedindo de vez que pessoas desafortunadas possam frequentar esses eventos durante o
ano.
Todos esses questionamentos deveriam ter sido feitos antes por toda a imprensa e sociedade
antes de se decidir sediar esses eventos, mas o Brasil já tem tradição em colocar o carro na
frente dos bois, e agora não temos escolha em desistir dessas aventuras se elas não forem
benéficas. Enfim, veja apartir de agora uma série de opiniões sobre os eventos e formule a sua
com base em fatos e lógica, e não através da emoção irracional.
Boa leitura, e aguarde a próxima edição.
Juliano Torres
Belo Horizonte
16 de novembro de 2009
Bate pra fora Kaká!!
Por Fernando Chiocca
O ano era 1990. O mês era junho. O jogo era Brasil X Argentina, oitavas de final da Copa do
Mundo. Só deu Brasil o jogo inteiro. Em um dos poucos ataques da Argentina, Maradona atrai
toda a marcação no meio de campo, passa a bola para Caniggia que tem apenas o trabalho de
tirar Taffarel da jogada e marcar o único gol da partida. Não havia mais condições para a
virada. O Brasil estava fora da Copa. Eu, então um garoto de 14 anos, fiquei desolado. E muitos
outros brasileiros também. Mal sabia eu que este se tornaria um momento que mereceria ser
comemorado por todos os brasileiros . E soma-se a este, os gols de Zidane para a França na
final da Copa de 1998, a virada do Uruguai na final da Copa de 1950 em pleno Maracanã e
todas as outras derrotas da seleção brasileira em Copas do Mundo. E igualmente, todos os
títulos que foram comemorados por muitos brasileiros, deveriam ter sido lamentados, graças
ao governo e mais uma de suas intervenções no mercado.
Hoje em dia não sou mais uma criança e teria muita dificuldade em procurar alguma
justificativa para “torcer” por um time ou seleção [1], mas é fato que diferente de outros
esportes chatos o futebol goza de muita popularidade no Brasil e na maior parte do mundo, e
é por essa preferência frívola que o futebol é um esporte que dá lucro. Existe uma demanda no
mercado por futebol, e empreendedores privados e profissionais são recompensados por
satisfazer os consumidores deste setor. Tudo na base de trocas voluntárias. Todos ganham.
Porém, o presidente Lula e Marcelo Neves, presidente de uma Associação Dos Campeões
Mundiais do Brasil, transformaram esta opção em uma questão ética, uma questão de
justiça—ou melhor dizendo, de injustiça. O presidente Lula decidiu que todos os jogadores da
seleção da CBF que foram campeões nos campeonatos mundiais da FIFA receberão de
“indenização” e “reparação” R$ 465 mil e uma aposentadoria de R$ 4.650 por mês. Isso
mesmo; Roberto Baggio bateu o pênalti pra fora em 94? Romário, Raí, Ronaldo e os outros
dezenove jogares vão receber essa aposentadoria e essa “indenização”; Pelé chapelou o
zagueiro sueco e marcou um gol na final da Copa? Comemorem! Todos os trabalhadores
brasileiros terão mais de 10 milhões de reais tirados a força de seus bolsos para ir para o bolso
do Rei do Futebol e de seus companheiros de equipe, mais o valor mensal da aposentadoria de
todos. Está até previsto o repasse dos valores para as famílias dos jogadores falecidos, ou seja,
Zito e Vavá colocaram o Brasil na frente do placar contra a Tchecoslováquia em 62, a cantora
Elza Soares, o filho sueco de Garrincha e suas outras quatro famílias irão dividir a
aposentadoria e os R$ 465 mil, além de Pelé que estava no banco contundido ter somado este
aos valores referentes a 58 e 70 mais esta “bolada” (R$ 1.395.000 para Pelé, campeão por três
vezes).
Esta não é a primeira vez que o estado tenta se aproveitar do prestígio do futebol para “tirar
uma casquinha” e aumentar seu próprio prestígio. Visitas dos campeões mundiais a Brasília e
visita de presidentes aos treinos e jogos do Brasil são comuns. E tirando o fato que governos
construíram estádios de futebol, a CBF e os clubes sempre se mantiveram privadamente,
pagando taxas pelo uso destes estádios. O ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, tentou
fazer algo semelhante ao que Lula fez agora, presenteando com um Fusca os campeões
mundiais da Copa de 70, mas em uma rara decisão justa dos tribunais estatais brasileiros,
Paulo Maluf foi condenado a pagar do próprio bolso o valor deste “presente”. Porém isto
jamais vai poder acontecer neste caso. Diferente de Paulo Maluf que vinha do setor produtivo
da sociedade, onde ele e sua família foram capazes de produzir e acumular muita riqueza, Lula,
de origem pobre, logo cedo em sua vida foi para o setor parasitário da sociedade, e a pouca
riqueza que ele produziu no tempo que esteve no setor produtivo talvez não fosse capaz de
pagar nem um Fusca para os campeões, quanto mais ser capaz de devolver estas centenas de
milhões que está usurpando com esta decisão.
A quantidade e a intensidade das arbitrariedades envolvidas nesta decisão são de assustar até
os mais acostumados a analisar as atitudes governamentais. Em primeiro lugar, “indenização”
e “reparação” são critérios usados para tentar trazer justiça a vítimas de crimes. Alguém, por
favor, me diga, que crime os trabalhadores brasileiros cometeram contra estes atletas? E
porque somente os jogadores que foram campeões merecem receber esta reparação? Por que
não os vices? Ou melhor, se fossemos querer usar alguma lógica, a indenização não teria que
ser dada exclusivamente aos atletas derrotados e ser paga direta e exclusivamente pelos
jogadores vencedores, que cometeram o “crime” de derrotá-los? E o que dizer dos valores?
Como todos os valores estipulados pelo governo, ou seja, fora do mercado—não baseados nas
informações fornecidas pelo mecanismo de lucros e prejuízos—qualquer valor pode ser
definido. Por que não R$ 465 milhões para cada um? Afinal, R$ 465 mil para milionários como
Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos pode não ser o suficiente para “indenizá-los” de coisa
alguma. Seria provável que esta quantia módica entrasse até desapercebida em seus encaixes.
E por que só os jogadores campeões merecem a aposentadoria? Digamos que algum acordo
de aposentadoria tivesse sido firmado com os atletas, ele teria sido de que tipo: você irá jogar
futebol por X anos, mas só terá uma aposentadoria garantida se conquistar o título Y? É isso?
As perguntas são infinitas e respostas coerentes simplesmente não existem. A questão
essencial já está respondida. Trata-se de um roubo, um assalto ao suado fruto do trabalho do
setor produtivo brasileiro. Eu não sei até que ponto vai a paixão do leitor pelo futebol, mas a
desse autor que já tinha um interesse extremamente reduzido, depois dessa, se tornou
negativo. Neste dilema criado pelo estado fico do lado da ética, do lado da justiça. Um
torcedor poderia alegar que os jogadores não têm culpa nesta decisão, porém, eles são uma
das partes diretamente envolvida no esbulho. Caso eles não se pronunciem publicamente
recusando e vilipendiando esta espoliação, eles também têm sua parte da culpa. Numa
possível disputa de pênaltis valendo o título da Copa de 2014, o Brasil tem a última cobrança
contra a Itália, que se torna Hexa-campeã caso o Brasil erre, já sei qual será minha torcida:
bate pra for a Kaká!!
Vulla facip eu faciliquat nos alis doloreet praessis aliquat. Ut lutpatue tis dignisl in utatetum
iniam adio consenit, conse minci tat, verostio conulla con eum delisisim quis eummy nulla
accum dunt alismodit nos at ute minim ad magna augiam dolessisi.
Notas [1]Na verdade eu tenho a maior torcida do Brasil do meu lado, pois nas pesquisas sobre qual
time as pessoas torcem, o “Nenhum” aparece sempre em primeiro lugar, bem a frente de
Flamengo ou Corinthians.
A gravidade do problema das Olimpíadas e Copa do Mundo no
Brasil
Por Sidnei Santana
Para entender a gravidade do problema com as Olimpíadas e a Copa do Mundo, antes
precisamos entender a gravidade do problema governamental. Vamos conceituar primeiro o
que é governo. Antes de tudo, o governo não é nenhuma entidade divina ou imparcial, é
apenas um grupo de homens, onde cada um desses homens possui anseios e ambições
pessoais como qualquer outro homem. Sendo assim, é de se esperar, devido à própria
natureza humana, que esses homens que compõem o governo utilizem qualquer
oportunidade, recurso ou poder em benefício próprio, mesmo quando teoricamente deveriam
estar “trabalhando para o bem comum”.
No livre mercado não há problema em existir egoísmo, pois quando um indivíduo trabalha em
benefício próprio no livre mercado, automaticamente está satisfazendo interesses alheios, ou
seja, a única maneira de enriquecer é oferecendo produtos e serviços de qualidade, que sejam
apreciados pelas pessoas em geral, ou caso contrário, tal indivídio não conseguirá alcançar
seus interesses. Já no governo, simplesmente não existe esta lógica, porque ele não produz
nada e não vende nada. Em outras palavras, ele não produz riqueza alguma. Mas os homens
que estão dentro dele ganham dinheiro, muito dinheiro. Não é preciso ser um gênio para
concluir, então, a perversidade da própria essência de um governo.
Governo é um grupo de indivíduos que não produz nada e rouba sistematicamente indivíduos
que produzem. É claro que existem inúmeras desculpas para legitimar este roubo efetuado
através de impostos e taxas em geral. Costumam dizer que é para distribuir riqueza (mas ajuda
a concentrar riqueza nas mãos de poucos), realizar justiça social (mas só causa injustiças
sociais), trabalhar em prol do bem comum (mas os serviços públicos ficam cada vez piores),
etc. Não importa o que digam, a verdade é que o Estado é uma entidade parasita que escraviza
e rouba compulsoriamente os cidadãos de um país.
E o que as Olimpíadas e a Copa do Mundo que vão ser sediadas pelo Brasil, têm a ver com
isso? Bem, é do interesse dos governantes que as pessoas em geral não conheçam a realidade
que está sendo exposta neste artigo, simplesmente porque isso ameaçaria seu poder, então
eles precisam de alguma forma, encobri-la. Desde o início da civilização governos utilizam
meios de propaganda para alienar as pessoas e fazê-las acreditar que o governo é algo bom,
que traz desenvolvimento e progresso a todos. No Egito construíam-se grandes pirâmides para
passar uma idéia de prosperidade, em Roma realizavam-se grandes jogos e lutas de
gladiadores, para que as pessoas ficassem ocupadas se distraindo no circo.
Os Estados totalitários adoram realizar grandes paradas militares, eventos e congressos
exatamente para tentar passar esta idéia de grandeza, desenvolvimento e progresso. A Itália
fascista, por exemplo, sediou a Copa do Mundo em 1934, a Alemanha nazista, sediou as
Olimpíadas em 1936, a China comunista, sediou as Olimpíadas em 2008. Quanto maior, mais
perverso, criminoso e agressivo um governo, maior é a sua preocupação em disfarçar a
verdade, tentando de todas as formas justificar a sua existência através de ilusões de
prosperidade. Mas a realidade não muda, governo não é nada mais que um ladrão parasita,
não importa a época, lugar ou como queira se disfarçar ou justificar sua existência.
Esclarecido tudo isso, é fácil notar que o rumo pelo qual o Brasil está caminhando é no mínimo
preocupante. Temos um governo extremamente inchado, que controla todos os aspectos da
economia e da sociedade do país, que tributa cada vez mais, que gasta cada vez mais, e que
concentra cada vez mais riqueza e poder nas mãos de poucos. Este mesmo governo está
fazendo de tudo para convencer a população de que está nos trazendo prosperidade. Nos
mostram gráficos, projeções econômicas, Produto Interno Bruto (PIB), dizem que as
exportações estão aumentando, nos apresentam programas sociais fantásticos que acabarão
com a pobreza do Brasil, etc, etc, etc. No entanto, a grande maioria de nós simplesmente não
consegue ver ou sentir essas “boas mudanças”. O que na verdade acontece, é que conseguir
emprego está cada vez mais difícil, o dinheiro do mês rende cada vez menos, as coisas estão
cada vez mais caras, e estamos cada vez mais pobres e endividados.
A realidade do brasileiro médio não tem nada a ver com a realidade que o Estado nos
apresenta em seus gráficos. Mas muitos engolem esta propaganda, muitos acreditam nesta
ilusão, mesmo com o fato de que sua vida está cada vez pior. E a Copa do Mundo, junto com as
Olimpíadas, vêm para coroar esta situação, serão mais instrumentos de propaganda adicional
utilizada pelo governo para nos convencer de que é legal ser roubado por ele. E pior, como ele
não produz nada, obviamente não poderá pagar a conta deste evento. Adivinha então quem
pagará? Sim, a gente denovo. Os bilhões de reais necessários para a realização das Olimpíadas
e da Copa do Mundo sairão do bolso do brasileiro pagador de impostos, o “contribuinte” (na
verdade extorquido).
E nenhuma desculpa pode mudar o que foi exposto aqui. Ainda que o governo diga que esses
eventos irão aumentar o turismo no Brasil e que isto será benéfico, que haverá muito lucro,
este lucro nunca será maior do que os gastos, e nunca justificará a extorsão adicional da
população do país inteiro para bancar estas palhaçadas. Estados nunca deveriam se envolver
com nenhum tipo de obra ou evento, porque isto significa mais dinheiro roubado do bolso dos
cidadãos, mais dinheiro desperdiçado, que poderia estar sendo melhor investido, pela
iniciativa privada, em produção e geração de empregos e riqueza no mercado.
Tudo isso só nos mostra uma coisa, que o governo sempre é perverso e nocivo à população
como um todo, e deve ser reduzido urgentemente e constantemente se quisermos ter
liberdade, prosperidade, desenvolvimento, distribuição de riqueza e progresso de uma
maneira geral. A conclusão sobre a Copa e as Olimpíadas, portanto, é que elas devem ser
privatizadas assim como vários outros eventos. Não há nada que impeça esses eventos de
ocorrerem de forma privada, pelo contrário, seriam muito mais atrativos e eficientes do que o
modelo estatal, e não podemos mais deixar governos explorarem estas ferramentas, que
servem apenas para roubar dinheiro dos cidadãos e alienar os mal informados.
A grande maratona de ostentação estatal
Por Rafael Roos Guthmann
As olimpíadas consistem no maior evento esportivo global e também na grande maratona de
ostentação de poder econômico pelo estado sede do evento. Desde 1896 são realizadas
olimpíadas no mundo moderno, eventos muito diferentes dos eventos que existiam na Grécia
antiga, na época eram eventos espontâneos que não contavam com atletas profissionais e
financiamento estatal (pelo menos em larga escala). Os eventos modernos consistem numa
maneira dos países (ou melhor, dos Estados que vivem dos impostos extraídos dos países que
ocupam) demonstrarem seu poder econômico e de mobilização, uma forma de guerra sem
mortes.
Além disso, desde os primórdios da civilização e da formação dos Estados temos a
concentração de poder em centros territoriais que por algum motivo histórico concentram os
impostos arrecadados da população. No Brasil até a década de 50 a cidade do Rio de Janeiro
era a capital, e por isso era uma cidade “próspera” (a dita “cidade maravilhosa”), sendo o
buraco negro para o dinheiro do contribuinte. Com a mudança da capital, o centro do vortex
tributário se deslocou do Rio de Janeiro para certa região no estado de Goiás (reconhecida
pelos seus ilustres habitantes).
Com as olimpíadas de 2016 o Rio de Janeiro voltará a ser por um breve período o principal
vortex das verbas estatais. Esperamos uma melhora no padrão de vida da cidade,
principalmente em virtude da redução da criminalidade. Na verdade hoje já seria possível
reduzir a criminalidade, mas como a prefeitura não tem incentivos para isso, continua a
baderna. De qualquer maneira, deixar os traficantes derrubar helicópteros com atletas
Chineses ou Russos não seria um bom negócio, até mesmo para o Governo Federal.
Também é interessante a analogia com o protecionismo. Barreiras tarifárias existem para
proteger as indústrias, seus proprietários são os grupos de interesses. No caso, o custo de
proteger essas indústrias (a perda por parte dos consumidores em virtude dos produtos caros)
é sempre maior do que os benefícios para as mesmas. A realização de olimpíadas pode ser
benéfica para a população da cidade sede, mas não é benéfica para o país como um todo e
muito menos com relação ao mundo, no sentido que os recursos utilizados para a realização
desses eventos poderiam ser muito melhor utilizados se continuassem na mão dos pagadores
de impostos. Um exemplo é a China, um país ainda pobre, mas cujo governo “investiu” mais de
50 bilhões de dólares no evento, dinheiro equivalente a renda anual de 20 milhões de
trabalhadores chineses, só para que o governo do partido comunista chinês pudesse posar de
superpotência.
Rio 2016: Eles ganham, você paga!
Por Guilherme Inojosa
Um clima de euforia foi decretado no Rio de Janeiro. Milhares de cariocas não comparecem
mais ao trabalho, preferindo fazer inúmeras comemorações em Copacabana. Só falta lá a Ivete
Sangalo abandonar o filhinho para comemorar com eles esse belíssimo carnaval fora de época.
O motivo para a festa? A cidade acaba de ser nomeada sede dos Jogos Olímpicos de 2016.
Parece que essa vitória está fazendo os políticos em Brasília, principalmente aqueles ligados à
situação, dormirem tranqüilos. O nosso querido presidente conseguiu a proeza de trazer para
o Brasil os dois eventos esportivos mais importantes do mundo em um intervalo de dois anos.
Parece que o molusco de nove dedos poderá abrir o whisky Blue Label com um bom e velho
charutinho trazido diretamente de Havana para comemorar essa grande vitória.
As empreiteiras, hotéis e tudo relacionado aos setores que serão necessários para o
desenvolvimento do evento também estão bastante felizes. Imagine as oportunidades de lucro
que esse setor terá. Além de que, eles irão utilizar esses lucros de alguma forma e isso
beneficiará vários outros ramos da economia, que por sua vez irão também usar o dinheiro de
alguma forma e beneficiará outros ramos, e isso se repetirá sucessivamente gerando um
crescimento gigantesco para a economia.
A partir daí temos um crescimento enorme para o país, estimulando a economia e garantindo
um aumento no nosso PIB, tudo isso creditado ao nosso célebre ministro da Fazenda Guido
Mantega, também conhecido pela alcunha de Mr. M. Dessa forma, todo o país tem a ganhar
com a sede do evento no Rio de Janeiro, certo?
Errado. Pois, nessa análise que todos fazem dos fatos, esqueceram de computar um membro
importante em todo esse show de mágica: O contribuinte bunda mole brasileiro nome técnico
para aqueles que são roubados pelos burocratas de Brasília.
Afinal, como diz certo economista soviético, não existe almoço grátis e toda essa festa deverá
ser patrocinada por alguém. Com falta de competência para conseguir fundos privados que
iriam patrocinar o evento, o governo prefere pegar seu bom e velho “tresoitão”, ampotar na
cabeça dos contribuintes e falar: “Passa vinte e cinco bilhões, preiboi!”.
Dessa forma, todo o espetáculo do crescimento, parafraseando um certo presidente
argentino, é sustentado pelo contribuinte bunda mole, que o aceita feliz da vida por achar ser
um status muito grande para o país sediar um evento desse porte. Tudo isso claro, em prol do
bem-estar geral, termo técnico de benefícios para os governantes e lobistas.
Vinte e cinco bilhões[1] sendo injetados na economia é realmente algo memorável, afinal é
mais importante ficar construindo arenas esportivas do que devolver o dinheiro para os donos
usarem em outras necessidades. Imagina que absurdo esse dinheiro ser usado pela população
para a alimentação, saúde, educação ou outros bens consideradas por eles mais urgentes. O
homem é um ser irracional, beirando a débil-mentalidade e que não sabe onde melhor gastar
seus dinheiros, e os burocratas são todos seres inteligentes vindos do planeta Vulcano[2], por
isso sabem o melhor uso para dar o dinheiro.
O contribuinte bunda mole é um exemplo de ser, que abandona suas vaidades em prol do
melhor para todos, analisando isso estou pensando também em conversar com alguns
integrantes do governo que estou vendo outras necessidades nobres e que melhorariam o
bem-estar geral. A primeira delas é a reforma da minha casa.
Notas
[1] 25 bilhões dá em média 150 reais por brasileiros. Lembrando que proporcionalmente a
maior parte dos impostos recai sobre as classes D e E.
[2] Planeta do universo Star Trek onde todos os habitantes possuem super-inteligência.
Document Outline
- PrecoNov09.pdf
- Final
- Introduo
- Bate pra fora Kak磡!!
- A gravidade do problema das Olimpadas e Copa do Mundo no Brasil
- A grande maratona de ostentao estatal
- Rio 2016: Eles ganham, voc paga!
- Contra o Seqestro do Esporte Moderno
- Infra-estrutura qual n꼣o precisamos
- Perigo: Ufanismo vista.
- Sem ttulo-1
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